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Programa Move Brasil: Tudo o que Caminhoneiros e Transportadoras Precisam Saber sobre a Renovação de Frota e os Novos R$ 10 Bilhões em Crédito

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Lançado oficialmente em 8 de janeiro de 2026 pelo governo federal, o Move Brasil é um programa de financiamento com juros subsidiados voltado à renovação da frota de caminhões brasileira. A iniciativa surgiu em resposta a um cenário preocupante: as vendas de caminhões recuaram 9,2% em 2025, com queda ainda mais acentuada de 20,5% nos modelos pesados — justamente aqueles responsáveis pelo transporte de longas distâncias.

O programa é operado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) com recursos do Tesouro Nacional (R$ 6 bilhões) e do próprio banco (R$ 4 bilhões), totalizando R$ 10 bilhões na primeira rodada. A taxa de juros entre 13% e 14% ao ano representa uma queda drástica em relação às condições de mercado, que chegavam a 22% a 25% antes do programa.

Em apenas dois meses de vigência, o Move Brasil aprovou R$ 5 bilhões em crédito — metade de toda a primeira rodada — beneficiando caminhoneiros em mais de 1.127 municípios do Brasil.

Quem pode acessar o Move Brasil?

O programa foi estruturado para atender três perfis de beneficiários:

•       Caminhoneiros autônomos: com R$ 1 bilhão reservado exclusivamente para transportadores independentes.

•       Cooperativas e cooperados: profissionais vinculados a cooperativas de transporte.

•       Empresas transportadoras: pessoas jurídicas do setor de transporte rodoviário de cargas, com financiamento de até R$ 50 milhões por beneficiário.

Os veículos financiados devem ser de fabricação nacional e atender critérios ambientais alinhados ao Proconve 7. Caminhões zero-quilômetro ou seminovos fabricados a partir de 2012 são elegíveis. O prazo de pagamento é de até 60 meses, com carência de até 6 meses.

Os números do programa até abril de 2026

A adesão ao Move Brasil superou as expectativas. Veja a evolução dos dados:

•       1 mês: R$ 1,3 bilhão aprovado pelo BNDES, beneficiando caminhoneiros em 532 municípios.

•       2 meses: R$ 5 bilhões aprovados, R$ 4,2 bilhões contratados e R$ 2,8 bilhões desembolsados.

•       Em março/2026: o BNDES confirmou R$ 3,7 bilhões liberados; o vice-presidente Alckmin citou que o volume pode ter chegado a R$ 4,2 bilhões.

•       Total de operações: mais de 4.620 contratos, abrangendo 1.127 municípios em todas as regiões do país.

•       Perfil das operações: R$ 4,9 bilhões para frotistas (4.380 operações) e R$ 110 milhões para autônomos (239 operações).

•       São Paulo: maior participação, com R$ 925 milhões aprovados.

Move Brasil vai acabar? O debate sobre a continuidade

Com o esgotamento dos R$ 10 bilhões iniciais, o setor entra em compasso de espera quanto ao futuro do programa. O vice-presidente Geraldo Alckmin reconheceu que não há confirmação de aumento imediato do teto, mas sinalizou que o governo buscará soluções para a continuidade.

A Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) já formalizou junto ao Ministério do MDIC um pleito pela renovação do programa e sua ampliação para ônibus e implementos rodoviários. A associação acredita em uma nova rodada com recursos equivalentes à primeira — cerca de R$ 10 bilhões — embora nada tenha sido aprovado formalmente até o fechamento desta edição.

Segundo a Fenabrave, os emplacamentos de caminhões de janeiro a março de 2026 somaram 21,7 mil unidades, queda de 19,3% em relação ao mesmo período de 2025. A avaliação do setor é que o Move Brasil sustentou o mercado no primeiro trimestre, mas não foi suficiente para reverter a tendência de queda.

"O que vimos de recuperação no primeiro trimestre foi basicamente o Move Brasil." — Marcelo Ciardi Franciulli, diretor executivo da Fenabrave

O desafio dos caminhões velhos nas estradas

Um dos motivadores centrais do programa é a idade média da frota brasileira. Segundo dados apresentados pelo próprio Alckmin, há aproximadamente 300 mil caminhões com mais de 20 anos em circulação no país. Esses veículos consomem mais combustível, poluem mais e representam maior risco de acidentes — tanto para o motorista quanto para outros usuários da rodovia.

A renovação da frota é, portanto, uma agenda de competitividade, segurança e sustentabilidade ao mesmo tempo. A MP nº 1.328, de 17 de dezembro de 2025, que autorizou o uso de recursos do Tesouro Nacional no programa, também vincula os financiamentos à Nova Indústria Brasil (NIB), fortalecendo a produção nacional de caminhões.

Como acessar o financiamento?

O caminhoneiro ou a empresa interessada deve procurar uma instituição financeira credenciada ao BNDES — bancos, cooperativas de crédito ou fintechs parceiras — e apresentar a documentação padrão de crédito. O veículo escolhido deve ser credenciado no sistema do BNDES e atender aos requisitos ambientais do Proconve 7. Recomenda-se consultar diretamente o site do BNDES ou uma concessionária autorizada para verificar os modelos disponíveis e as condições vigentes no momento da operação.

 
 
 

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