Eleições 2026: o que cada candidato já fez (e promete) para o caminhoneiro brasileiro
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Outubro se aproxima e, com ele, a hora de decidir o voto. Para quem vive na estrada ou depende do transporte rodoviário para tocar o negócio, um critério pesa mais do que discurso de campanha: o que cada candidato já fez — e o que está propondo — para o setor. Reunimos aqui um retrato objetivo, sem viés político, dos nomes com maior intenção de voto segundo as pesquisas mais recentes, para que cada motorista e transportador tire suas próprias conclusões.
O 1º turno das eleições será em 4 de outubro, com eventual 2º turno em 25 de outubro. Ao todo, 13 candidatos disputam a Presidência — aqui, focamos nos cinco melhor colocados nas pesquisas até agora: Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão).
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — candidato à reeleição
O que já fez pelo setor: No atual mandato, o governo Lula sancionou, em agosto de 2026, a chamada Lei do Frete, que fortalece a fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário (criado em 2018, após a greve dos caminhoneiros), amplia as punições para empresas que pagam abaixo da tabela e cria uma atualização automática sempre que o diesel varia 5% ou mais. A lei também instituiu o Programa Move Brasil, com R$ 21,2 bilhões em crédito para renovação de frota de caminhões, ônibus e implementos — voltado especialmente a autônomos e cooperativas. Ainda no texto, ficou definido o adiantamento mínimo de 70% do valor do frete para autônomos antes da viagem, com o saldo pago em até três dias úteis após a entrega. Por outro lado, Lula vetou o trecho que perdoava as multas aplicadas a caminhoneiros por bloqueios de rodovias após as eleições de 2022 — decisão que gerou desconforto entre parte da categoria, tradicionalmente mais alinhada à oposição desde 2018.
O que propõe para 2027–2030: A campanha ainda está detalhando a plataforma, mas sinaliza continuidade das políticas de fiscalização do frete mínimo, ampliação de crédito para renovação de frota e isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais.
Flávio Bolsonaro (PL)
O que já fez pelo setor: Senador desde 2018, Flávio não teve protagonismo direto em legislações voltadas ao transporte de cargas. No entanto, ele é herdeiro político do governo de seu pai, Jair Bolsonaro, que em 2022 editou uma MP reduzindo de 10% para 5% o gatilho de reajuste automático da tabela do frete diante da alta do diesel, e que em 2021 criou um auxílio emergencial de R$ 400 para caminhoneiros autônomos diante da disparada dos combustíveis — medida criticada por parte da categoria como insuficiente. A relação da base bolsonarista com os caminhoneiros também é marcada pelos bloqueios de rodovias após a derrota eleitoral de 2022, tema que ainda gera embate no Congresso em torno de uma possível anistia.
O que propõe para 2027–2030: Seu plano de governo, "Para o Brasil Vencer o Atraso", tem foco em redução de impostos, corte de pelo menos dez ministérios, revisão da reforma tributária (com alíquota menor de IVA) e agenda de segurança pública. Não detalha, até o momento, propostas específicas para o piso do frete ou para motoristas profissionais, priorizando uma agenda econômica mais ampla de desburocratização.
Ronaldo Caiado (PSD)
O que já fez pelo setor: Como governador de Goiás (2019–2026), teve atuação relevante em infraestrutura estadual, mas sem histórico direto de legislação federal sobre transporte de cargas, já que nunca ocupou o Ministério dos Transportes ou cargo equivalente.
O que propõe para 2027–2030: Em agosto de 2026, recebeu da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP) um documento com sete eixos prioritários para o setor: segurança jurídica regulatória, simplificação tributária, investimentos em infraestrutura, combate ao roubo de cargas, renovação de frota, sustentabilidade econômica e desoneração da folha de pagamento. Sua plataforma de infraestrutura defende maior uso de títulos incentivados e fundos privados para financiar obras, com o BNDES atuando mais como estruturador de projetos do que como financiador direto. Na economia geral, defende um teto de gastos públicos vinculado ao PIB.
Romeu Zema (Novo)
O que já fez pelo setor: Como governador de Minas Gerais (2019–2026), não teve histórico de legislação federal sobre transporte de cargas, mas geriu um estado com forte tráfego rodoviário de commodities e mineração.
O que propõe para 2027–2030: Coloca a redução do custo logístico — hoje estimado em 15,5% do PIB — como prioridade central, defendendo a reunificação do Ministério da Infraestrutura em uma única pasta (hoje fragmentado entre Transportes, Portos e Aeroportos, e Cidades) e maior investimento em hidrovias como alternativa ao excesso de dependência das rodovias. Também defende ampliar concessões e parcerias público-privadas para obras rodoviárias.
Renan Santos (Missão)
O que já fez pelo setor: Fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), estreia agora na disputa por um cargo eletivo, sem histórico de mandato ou gestão pública prévia ligada ao transporte.
O que propõe para 2027–2030: Sua agenda é centrada em reforma das leis trabalhistas — incluindo críticas às discussões sobre o fim da escala 6x1 — e propostas de ruptura institucional mais amplas, como fusão de municípios pouco viáveis e transição do sistema previdenciário para capitalização. Até o momento, não apresentou uma agenda específica e detalhada para o transporte rodoviário de cargas.
O que considerar na hora de avaliar
Alguns pontos objetivos que ajudam a comparar os candidatos:
Histórico de governo: só Lula tem mandato presidencial em curso com medidas efetivamente sancionadas para o setor nos últimos anos; os demais têm, no máximo, experiência estadual ou nenhuma experiência de gestão pública.
Piso do frete: é hoje a política mais consolidada para o setor (criada em 2018, reforçada em 2022 e 2026), e nenhum candidato propõe revogá-la — o debate está em como fiscalizar e financiar, não se ela deve existir.
Piso salarial de R$ 5 mil: ficou fora da legislação aprovada em 2026 e segue tramitando separadamente como projeto de lei (PL 4.789/2026); vale acompanhar se os candidatos se posicionam sobre ele nos próximos debates.
Infraestrutura e financiamento de obras: aqui há diferenças reais de modelo — de mais Estado e BNDES a mais concessões e capital privado.
Este panorama tende a ganhar mais detalhes conforme a campanha avança e os planos de governo completos forem divulgados. Recomendamos acompanhar os debates oficiais e consultar diretamente os planos de governo registrados no TSE antes de decidir o voto.
Este conteúdo tem caráter informativo e não representa endosso da Implementados a nenhum candidato ou partido.




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